História do Futebol Feminino no Grêmio: mudanças entre as edições

De Gurias Gremistas
Criou página com '__TOC__ right '''DAS PIONEIRAS ÀS GURIAS GREMISTAS''' =='''1ª FASE: 1980 e 1983 – AS PIONEIRAS'''== Foi no segundo semestre de 1980 que um grupo de mulheres capitaneadas por Marianita da Silva Nascimento formou o primeiro time de futebol feminino do Grêmio FBPA, durante a gestão do Presidente Hélio Dourado. Essas jogadoras atuaram juntas durante anos a fio e integraram diversas equipes amadoras, entre elas a Sociedade de Amigos de...'
 
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Foi no segundo semestre de 1980 que um grupo de mulheres capitaneadas por Marianita da Silva Nascimento formou o primeiro time de futebol feminino do Grêmio FBPA, durante a gestão do Presidente Hélio Dourado. Essas jogadoras atuaram juntas durante anos a fio e integraram diversas equipes amadoras, entre elas a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa (SACC) e o Esporte Futebol Clube, esse último muito associado ao Grêmio. Eram tempos de quase nenhum incentivo às jogadoras e de repressão aos clubes que resolvessem abraçar a modalidade, já que o Decreto-Lei Nº 3.199 de 14 de abril de 1941 proibia o futebol feminino em território nacional sob a justificativa de que “era incompatível com a natureza feminina”. A regulamentação só viria em 1983.  
Foi no segundo semestre de 1980 que um grupo de mulheres capitaneadas por Marianita da Silva Nascimento formou o primeiro time de futebol feminino do Grêmio FBPA, durante a gestão do Presidente Hélio Dourado. Essas jogadoras atuaram juntas durante anos a fio e integraram diversas equipes amadoras, entre elas a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa (SACC) e o Esporte Futebol Clube, esse último muito associado ao Grêmio. Eram tempos de quase nenhum incentivo às jogadoras e de repressão aos clubes que resolvessem abraçar a modalidade, já que o Decreto-Lei Nº 3.199 de 14 de abril de 1941 proibia o futebol feminino em território nacional sob a justificativa de que “era incompatível com a natureza feminina”. A regulamentação só viria em 1983.  


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[[Arquivo:Foto.01.png|thumb|A primeira equipe do Grêmio FBPA, formada por: (em pé, da esquerda para a direita) Sônia, Lili, Vera, Silvana, Ângela e Aninha; (agachadas, da esquerda para a direita) Breca, Macalão, Marianita, Marinilsa e Mara. Crédito: Revista Manchete, 20/11/1980]]<br>
Na imagem, a primeira equipe do Grêmio FBPA, formada por: (em pé, da esquerda para a direita) Sônia, Lili, Vera, Silvana, Ângela e Aninha; (agachadas, da esquerda para a direita) Breca, Macalão, Marianita, Marinilsa e Mara. Crédito: Revista Manchete, 20/11/1980
 


Os limites impostos pelas proibições legais então vigentes não impediram que a primeira equipe gremista disputasse uma Copa Ajax de futebol de salão, além de um amistoso contra o time de futebol feminino da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira passagem do grupo pioneiro pelo Clube foi bastante breve e as atletas foram dispensadas já no início de 1981, fato esse que foi seguido pela fundação do Esporte Futebol Clube. Pelo Esporte FC disputaram torneios históricos como o I Campeonato Gaúcho extraoficial de futebol feminino de 1982, no qual sagraram-se campeãs, e o I Torneio Brasileiro de Clubes Campeões de Futebol Feminino na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em abril de 1983.  
Os limites impostos pelas proibições legais então vigentes não impediram que a primeira equipe gremista disputasse uma Copa Ajax de futebol de salão, além de um amistoso contra o time de futebol feminino da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira passagem do grupo pioneiro pelo Clube foi bastante breve e as atletas foram dispensadas já no início de 1981, fato esse que foi seguido pela fundação do Esporte Futebol Clube. Pelo Esporte FC disputaram torneios históricos como o I Campeonato Gaúcho extraoficial de futebol feminino de 1982, no qual sagraram-se campeãs, e o I Torneio Brasileiro de Clubes Campeões de Futebol Feminino na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em abril de 1983.  


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[[Arquivo:Foto.02.png|550px|thumb|Jogadoras perfiladas no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos, 1980]]<br>
Na imagem, as jogadoras perfiladas no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos, 1980
 


'''A SACC e a inauguração do Olímpico Monumental'''
'''A SACC e a inauguração do Olímpico Monumental'''
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Ainda representando a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa, SACC, as jogadoras pioneiras foram convidadas a disputarem um torneio dentro das festividades de inauguração do Estádio Olímpico Monumental, em junho de 1980, marcando o início da aproximação do grupo de atletas com o Tricolor. As partidas foram motivo de atrito entre o Grêmio e os órgãos que acusavam o descumprimento do decreto de proibição do futebol de mulheres.
Ainda representando a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa, SACC, as jogadoras pioneiras foram convidadas a disputarem um torneio dentro das festividades de inauguração do Estádio Olímpico Monumental, em junho de 1980, marcando o início da aproximação do grupo de atletas com o Tricolor. As partidas foram motivo de atrito entre o Grêmio e os órgãos que acusavam o descumprimento do decreto de proibição do futebol de mulheres.


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[[Arquivo:Foto.03.png|550px|thumb|Medalha de vice-campeã entregue às jogadoras da SACC no torneio de inauguração do Estádio Olímpico Monumental. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos]]<br>
Medalha de vice-campeã entregue às jogadoras da SACC no torneio de inauguração do Estádio Olímpico Monumental. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos.
 


'''Marianita entra em campo'''
'''Marianita entra em campo'''
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Personagem importante do futebol feminino brasileiro, a meio-campista Marianita da Silva Nascimento deixou seu nome registrado na história da modalidade, dentro e fora de campo. Sua grande habilidade no futebol, reverenciada pelas jogadoras e imprensa da época, combinava-se com uma atuação sólida junto a dirigentes esportivos e à classe política em prol da regulamentação do futebol feminino no país. Por influência do pai Aymoré, ex-conselheiro do Grêmio, e do irmão Deco Nascimento, conselheiro e ex-diretor de futebol do Clube, tornou-se gremista e aproximou-se do futebol muito cedo. Essas origens, junto a uma personalidade determinada, foram essenciais para que, anos mais tarde, se tornasse a grande responsável pela chegada do futebol de mulheres ao Grêmio.
Personagem importante do futebol feminino brasileiro, a meio-campista Marianita da Silva Nascimento deixou seu nome registrado na história da modalidade, dentro e fora de campo. Sua grande habilidade no futebol, reverenciada pelas jogadoras e imprensa da época, combinava-se com uma atuação sólida junto a dirigentes esportivos e à classe política em prol da regulamentação do futebol feminino no país. Por influência do pai Aymoré, ex-conselheiro do Grêmio, e do irmão Deco Nascimento, conselheiro e ex-diretor de futebol do Clube, tornou-se gremista e aproximou-se do futebol muito cedo. Essas origens, junto a uma personalidade determinada, foram essenciais para que, anos mais tarde, se tornasse a grande responsável pela chegada do futebol de mulheres ao Grêmio.


Em junho de 1982, Marianita e as jogadoras Macalão e Mara integraram a histórica excursão do E.C. Radar à Espanha, a primeira vez em que um time de mulheres sul-americano e um europeu teriam se enfrentado segundo fontes da época. O convite partiu de Eurico Lyra, presidente da emblemática equipe carioca multicampeã da década de 1980. A delegação brasileira recebeu o status de seleção pela imprensa local e venceu de todos os amistosos disputados. A viagem tinha também um caráter político, pois atletas e dirigentes manifestavam publicamente seu desejo pela possibilidade de profissionalização do futebol feminino em terras brasileiras. Marianita retornou ao Brasil como atleta destaque, fato cuja repercussão fortaleceu ainda mais sua figura de liderança.  
Em junho de 1982, Marianita e as jogadoras Macalão e Mara integraram a histórica excursão do E.C. Radar à Espanha, a primeira vez em que um time de mulheres sul-americano e um europeu teriam se enfrentado segundo fontes da época. O convite partiu de Eurico Lyra, presidente da emblemática equipe carioca multicampeã da década de 1980. A delegação brasileira recebeu o status de seleção pela imprensa local e venceu de todos os amistosos disputados. A viagem tinha também um caráter político, pois atletas e dirigentes manifestavam publicamente seu desejo pela possibilidade de profissionalização do futebol feminino em terras brasileiras. Marianita retornou ao Brasil como atleta destaque, fato cuja repercussão fortaleceu ainda mais sua figura de liderança.  


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[[Arquivo:Foto.04.png|550px|thumb|]]<br>


'''Luta pela regulamentação do futebol feminino'''
'''Luta pela regulamentação do futebol feminino'''
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Em maio de 1983, cerca de um mês após a regulamentação do futebol feminino no Brasil, a modalidade retorna ao Grêmio por iniciativa do mesmo grupo de jogadoras de 1980 e novamente sob o comando de Marianita. Dessa vez, o apoio veio do Presidente Fábio Koff e um departamento foi oficialmente constituído, vinculando-se ao Departamento de Esportes Amadores.  
Em maio de 1983, cerca de um mês após a regulamentação do futebol feminino no Brasil, a modalidade retorna ao Grêmio por iniciativa do mesmo grupo de jogadoras de 1980 e novamente sob o comando de Marianita. Dessa vez, o apoio veio do Presidente Fábio Koff e um departamento foi oficialmente constituído, vinculando-se ao Departamento de Esportes Amadores.  


[[Arquivo:Foto.05.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.05.png|550px|thumb|Em pé, da esquerda para a direita: Ângela, Lacy, Ivone, Lili, Rosa e Granado; agachadas: Piu, Marianita, Rosane, Aninha e Marinilsa. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Maria Aparecida Granado, 1983/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, as jogadoras (em pé, da esquerda para a direita) Angela, Lacy, Ivone, Lili, Rosa e Granado, (agachadas, da esquerda para a direita) Piu, Marianita, Rosane, Aninha e Marinilsa. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Maria Aparecida Granado, 1983 / Fotógrafo desconhecido.


A dedicação das jogadoras pioneiras à camisa tricolor ia muito além da garra que demonstravam dentro de campo. Os desafios em relação à estrutura que a época lhes impunha eram diversos: não raro comprava-se as próprias chuteiras, ajustava-se o uniforme com linha e agulha, coletava-se dinheiro para custear as viagens ao encontro dos adversários e recebia-se o aplauso da torcida como único pagamento. As limitações eram compensadas com muito esforço e amor pela bola.
A dedicação das jogadoras pioneiras à camisa tricolor ia muito além da garra que demonstravam dentro de campo. Os desafios em relação à estrutura que a época lhes impunha eram diversos: não raro comprava-se as próprias chuteiras, ajustava-se o uniforme com linha e agulha, coletava-se dinheiro para custear as viagens ao encontro dos adversários e recebia-se o aplauso da torcida como único pagamento. As limitações eram compensadas com muito esforço e amor pela bola.


A equipe de futebol feminino gremista de 1983 contava com as seguintes atletas:
A equipe de futebol feminino gremista de 1983 contava com as seguintes atletas:<br>
 
Ana Maria Gasparotto (Aninha)<br>
Ana Maria Gasparotto (Aninha)
Anelise Kaysir<br>
Anelise Kaysir
Ângela Maria Ribeiro<br>
Ângela Maria Ribeiro
Celanir Pacheco Suez<br>
Celanir Pacheco Suez
Débora Eunice Lopes Carvalho<br>
Débora Eunice Lopes Carvalho
Dione Webber Carlos<br>
Dione Webber Carlos
Eva Maria Vargas<br>
Eva Maria Vargas
Gisela Maria Dutra Pithan (Piu)<br>
Gisela Maria Dutra Pithan (Piu)
Ivone T. Dallegrave<br>
Ivone T. Dallegrave
Jadi Maria Ferroni<br>
Jadi Maria Ferroni
Janilce Conceição Viana<br>
Janilce Conceição Viana
Joceli Martins Leandro<br>
Joceli Martins Leandro
Lacy Alves Vianna<br>
Lacy Alves Vianna
Ligia Luz Livi<br>
Ligia Luz Livi
Mara Lúcia dos Santos<br>
Mara Lúcia dos Santos
Mara Rosane Moreira Prado<br>
Mara Rosane Moreira Prado
Mara Rosane Rosa Ribeiro<br>
Mara Rosane Rosa Ribeiro
Marcia Amaral Macalão (Macalão)<br>
Marcia Amaral Macalão (Macalão)
Maria Aparecida Granado (Granado)<br>
Maria Aparecida Granado (Granado)
Maria Luiza de Oliveira<br>
Maria Luiza de Oliveira
Marianita da Silva Nascimento<br>
Marianita da Silva Nascimento
Marinilsa Souza Conceição<br>
Marinilsa Souza Conceição
Marli Beatriz de Almeida Santos (Lili)<br>
Marli Beatriz de Almeida Santos (Lili)
Miriam Costa Baratojo<br>
Miriam Costa Baratojo
Nair Serenita dos Santos<br>
Nair Serenita dos Santos
Neisa Chagas (Mineiro)<br>
Neisa Chagas (Mineiro)
Neusa Nazari<br>
Neusa Nazari
Patrícia Adriano Martins<br>
Patrícia Adriano Martins
Rejane Mattos Roldão<br>
Rejane Mattos Roldão
Rosane Machado Rollo<br>
Rosane Machado Rollo
Rosamaria Griebeler (Rosa)<br>
Rosamaria Griebeler (Rosa)
Rosemaria Pesente<br>
Rosemaria Pesente
Silvia Denise Boneberg<br>
Silvia Denise Boneberg
Silvia Fattori<br>
Silvia Fattori
Vandelina Kaodinski<br>
Vandelina Kaodinski
Vera Lúcia da Silva<br>
Vera Lúcia da Silva
Vera Regina Marcelino<br>
Vera Regina Marcelino


'''A primeira comissão técnica'''
'''A primeira comissão técnica'''
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Além dos jogos do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 1983, outro marco na história da modalidade no Rio Grande do Sul, a equipe gremista disputou diversos amistosos no estado e fora dele. Um dos mais emblemáticos foi contra o Bangu do Rio de Janeiro, em pleno Maracanã, minutos antes da partida entre as equipes masculinas de Grêmio e Flamengo pela Copa Libertadores da América de 1983.  
Além dos jogos do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 1983, outro marco na história da modalidade no Rio Grande do Sul, a equipe gremista disputou diversos amistosos no estado e fora dele. Um dos mais emblemáticos foi contra o Bangu do Rio de Janeiro, em pleno Maracanã, minutos antes da partida entre as equipes masculinas de Grêmio e Flamengo pela Copa Libertadores da América de 1983.  


[[Arquivo:Foto.06.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.06.png|550px|thumb|Em pé, da esquerda para direita: Dione, Ivone, Vera, Rosa, Granado e Lacy; agachadas: Rosane, Marianita, Aninha, Piu e Marinilsa. CRÉDITO: Acervo da ex-jogadora Ana Maria Gasparotto, 1983/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, as jogadoras (em pé, da esquerda para direita) Dione, Ivone, Vera, Rosa, Granado e Lacy, (agachadas, da esquerda para direita) Rosane, Marianita, Aninha, Piu e Marinilsa. CRÉDITO: Acervo da ex-jogadora Ana Maria Gasparotto, 1983/Fotógrafo desconhecido.


O primeiro Gre-Nal de futebol feminino foi um amistoso disputado no dia 26/06/1983 na cidade de Camaquã/RS e cujo placar foi 0x0. Os clássicos seguintes foram disputados pelo Campeonato Gaúcho, competição na qual as gremistas foram vice-campeãs.
O primeiro Gre-Nal de futebol feminino foi um amistoso disputado no dia 26/06/1983 na cidade de Camaquã/RS e cujo placar foi 0x0. Os clássicos seguintes foram disputados pelo Campeonato Gaúcho, competição na qual as gremistas foram vice-campeãs.


[[Arquivo:Foto.07.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.07.png||550px|thumb|As jogadoras da dupla Gre-Nal se enfrentam pelo Campeonato Gaúcho de 1983. CRÉDITO: Revista Manchete, 10/12/1983/Fotógrafo Paulo Franken]]<br>
Na imagem, as jogadoras da dupla Gre-Nal se enfrentam pelo Campeonato Gaúcho de 1983. CRÉDITO: Revista Manchete, 10/12/1983 / Fotógrafo Paulo Franken.


Em 1984, diante de um novo revés, as pioneiras gremistas marcaram mais uma vez a história do futebol de mulheres no Rio Grande do Sul. Após o encerramento do Departamento de Futebol Feminino Tricolor no início daquele ano, a busca por autonomia levou as jogadoras a decidirem pela criação do próprio clube: o Independente Futebol Clube, em 23/11/1984 - primeira agremiação exclusivamente de futebol feminino a se filiar à Federação Gaúcha de Futebol.
Em 1984, diante de um novo revés, as pioneiras gremistas marcaram mais uma vez a história do futebol de mulheres no Rio Grande do Sul. Após o encerramento do Departamento de Futebol Feminino Tricolor no início daquele ano, a busca por autonomia levou as jogadoras a decidirem pela criação do próprio clube: o Independente Futebol Clube, em 23/11/1984 - primeira agremiação exclusivamente de futebol feminino a se filiar à Federação Gaúcha de Futebol.




 
=='''2ª FASE: 1997 - 2002 – AS PRIMEIRAS CAMPEÃS'''==
'''==2ª FASE: 1997 - 2002 – AS PRIMEIRAS CAMPEÃS'''==


Um novo e vitorioso capítulo do futebol de mulheres no Tricolor teve início no 8 de março de 1997, Dia da Mulher, com a recriação do Departamento de Futebol Feminino. Nessa segunda fase da modalidade no Grêmio, a iniciativa partiu do próprio Clube que, em maio daquele ano, realizou uma peneira na qual compareceram cerca de 450 jogadoras.
Um novo e vitorioso capítulo do futebol de mulheres no Tricolor teve início no 8 de março de 1997, Dia da Mulher, com a recriação do Departamento de Futebol Feminino. Nessa segunda fase da modalidade no Grêmio, a iniciativa partiu do próprio Clube que, em maio daquele ano, realizou uma peneira na qual compareceram cerca de 450 jogadoras.


[[Arquivo:Foto.08.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.08.png|550px|thumb|Uma das formações de 1997: Capixaba, Leila, Eleonora, Alegrete, Débora e Patricia, Suzete, Andréa, Cebola, Maira e Taís. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Patricia França Ruas/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, uma das formações de 1997: Capixaba, Leila, Eleonora, Alegrete, Débora e Patricia, Suzete, Andréa, Cebola, Maira e Taís. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Patricia França Ruas/Fotógrafo desconhecido
   
   
Além das equipes adulta, sub-20 e sub-17, foi criada no mesmo 8 de março de 1997 uma escolinha de futebol para meninas de 7 a 14 anos. Eram cerca de 60 mulheres representando o Grêmio em 1997.  
Além das equipes adulta, sub-20 e sub-17, foi criada no mesmo 8 de março de 1997 uma escolinha de futebol para meninas de 7 a 14 anos. Eram cerca de 60 mulheres representando o Grêmio em 1997.  


[[Arquivo:Foto.09.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.09.png|550px|thumb|A atleta Suzana, ponta-direita da Escolinha, no II Grand Prix de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, a atleta Suzana, ponta-direita da Escolinha, no II Grand Prix de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido.




'''Primeiro Título - Copa 90 Anos do E.C. Pelotas'''
'''Primeiro Título - Copa 90 Anos do E.C. Pelotas'''
Linha 129: Linha 120:
Realizada entre os dias 28 e 29/03/1998, a Copa 90 Anos do E.C. Pelotas foi o primeiro título conquistado pela equipe gremista na história da modalidade no Clube. A pressão das adversárias desde a chegada ao Estádio Boca do Lobo motivou ainda mais a equipe gremista que conquistou a Copa de forma invicta: Grêmio 2x0 S.C. Internacional, Grêmio 4x1 S.C. São Paulo-Rio Grande e Grêmio 1x0 E.C. Pelotas.  
Realizada entre os dias 28 e 29/03/1998, a Copa 90 Anos do E.C. Pelotas foi o primeiro título conquistado pela equipe gremista na história da modalidade no Clube. A pressão das adversárias desde a chegada ao Estádio Boca do Lobo motivou ainda mais a equipe gremista que conquistou a Copa de forma invicta: Grêmio 2x0 S.C. Internacional, Grêmio 4x1 S.C. São Paulo-Rio Grande e Grêmio 1x0 E.C. Pelotas.  


[[Arquivo:Foto.10.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.10.png|550px||thumb|As campeãs comemoram o título de Campeão da Copa 90 Anos do EC Pelotas. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, as campeãs comemoram o título de Campeão da Copa 90 Anos do EC Pelotas. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido
   
   


Linha 137: Linha 127:
A relação histórica entre Grêmio e Nacional do Uruguai teve mais um capítulo no dia 13 de junho de 1998, quando um amistoso foi realizado em Montevidéu entre as respectivas equipes de futebol feminino. A convite do clube uruguaio, então campeão nacional da modalidade, a partida foi disputada no Estádio Gran Parque Central e terminou em 2x2, com os gols gremistas marcados por Taís e Xuxa.  
A relação histórica entre Grêmio e Nacional do Uruguai teve mais um capítulo no dia 13 de junho de 1998, quando um amistoso foi realizado em Montevidéu entre as respectivas equipes de futebol feminino. A convite do clube uruguaio, então campeão nacional da modalidade, a partida foi disputada no Estádio Gran Parque Central e terminou em 2x2, com os gols gremistas marcados por Taís e Xuxa.  


[[Arquivo:Foto.11.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.11.png|550px|thumb|A delegação tricolor em visita turística ao Estádio Centenario de Montevidéu. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, a delegação tricolor em visita turística ao Estádio Centenario de Montevidéu. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider /Fotógrafo desconhecido
   
   


Depois da excursão a Montevidéu, foi a vez do Grêmio retribuir o convite das uruguaias promovendo um amistoso no Estádio Olímpico. A partida ocorreu no dia 29 de agosto de 1998, na preliminar entre Grêmio e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Com dois gols de Taís e um de Bel, a equipe gremista venceu o Nacional por 3x1.
Depois da excursão a Montevidéu, foi a vez do Grêmio retribuir o convite das uruguaias promovendo um amistoso no Estádio Olímpico. A partida ocorreu no dia 29 de agosto de 1998, na preliminar entre Grêmio e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Com dois gols de Taís e um de Bel, a equipe gremista venceu o Nacional por 3x1.


[[Arquivo:Foto.12.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.12.png|550px|thumb|Vanderléia disputa a bola com a atleta do Nacional. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, Vanderléia disputa a bola com a atleta do Nacional. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido.
   
   


Linha 151: Linha 139:
Já no segundo ano da modalidade, em 1998, a equipe gremista alcançou o 5º lugar no II Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em Goiânia/GO, também conhecido como Taça Brasil. A comissão técnica era integrada por Telmo Espindola (técnico), Luiz Antonio Ferla Castegnaro (Treinador de goleiras), Mario Liguiçano (Fisioterapeuta), Inacarla Soares da Rosa (Massagista), Sandra Godoy da Silva (Roupeira) e Gelci Godoy Flores (Assessora). A participação seguinte do clube na competição ocorreu em 2000.  
Já no segundo ano da modalidade, em 1998, a equipe gremista alcançou o 5º lugar no II Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em Goiânia/GO, também conhecido como Taça Brasil. A comissão técnica era integrada por Telmo Espindola (técnico), Luiz Antonio Ferla Castegnaro (Treinador de goleiras), Mario Liguiçano (Fisioterapeuta), Inacarla Soares da Rosa (Massagista), Sandra Godoy da Silva (Roupeira) e Gelci Godoy Flores (Assessora). A participação seguinte do clube na competição ocorreu em 2000.  


[[Arquivo:Foto.13.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.13.png|550px|thumb|As jogadoras Cebola, Débora, Patricia e Carina posam para a foto no Estádio Serra Dourada, em Goiânia/GO. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, as jogadoras Cebola, Débora, Patricia e Carina posam para a foto no Estádio Serra Dourada, em Goiânia/GO. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido.
   
   


Linha 159: Linha 146:
A conquista da II Copa de Inverno de Gramado, disputada nos dias 25 e 26 de julho de 1998, é outro capítulo marcante na trajetória do futebol feminino Tricolor. Com gols de Lisiane, a vitória por 2x1 sobre o São Paulo F.C. tornou-se um feito muito significativo para as gremistas, já que o tricolor paulista era o campeão brasileiro da modalidade na época e possuía sete jogadoras da Seleção Brasileira em seu elenco. O Grêmio venceu ainda o S.C. Internacional por 5x2 e o Gramadense por 2x1.  
A conquista da II Copa de Inverno de Gramado, disputada nos dias 25 e 26 de julho de 1998, é outro capítulo marcante na trajetória do futebol feminino Tricolor. Com gols de Lisiane, a vitória por 2x1 sobre o São Paulo F.C. tornou-se um feito muito significativo para as gremistas, já que o tricolor paulista era o campeão brasileiro da modalidade na época e possuía sete jogadoras da Seleção Brasileira em seu elenco. O Grêmio venceu ainda o S.C. Internacional por 5x2 e o Gramadense por 2x1.  


[[Arquivo:Foto.14.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.14.png|550px|thumb|A equipe gremista na abertura da competição no Estádio dos Pinheirais, em Gramado/RS. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, a equipe gremista na abertura da competição no Estádio dos Pinheirais, em Gramado/RS. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido
   
   


Linha 167: Linha 153:
Após ser vice-campeão nos dois anos anteriores, o Grêmio conquistou seu primeiro Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino no ano 2000. Na final de uma campanha repleta de goleadas, o Tricolor venceu o S.C. Internacional por 2x0 com gols de Pulga e Mancha. A escalação do técnico James Freitas para a final no dia 10/12/2000 foi: Meire, Fernanda, Débora, Romana, Tatiana, Adriana, Aline, Desireé (Nadia), Pulga (Lunalva), Mancha e Tupã.  
Após ser vice-campeão nos dois anos anteriores, o Grêmio conquistou seu primeiro Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino no ano 2000. Na final de uma campanha repleta de goleadas, o Tricolor venceu o S.C. Internacional por 2x0 com gols de Pulga e Mancha. A escalação do técnico James Freitas para a final no dia 10/12/2000 foi: Meire, Fernanda, Débora, Romana, Tatiana, Adriana, Aline, Desireé (Nadia), Pulga (Lunalva), Mancha e Tupã.  


[[Arquivo:Foto.15.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.15.png|550px|thumb|A foto oficial de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2000. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, a foto oficial de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2000. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido
 


A entrega das faixas de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino ocorreu no dia 17 de dezembro de 2000, quando as campeãs deram uma volta olímpica no Estádio Olímpico lotado de torcedores por ocasião da partida entre Grêmio e São Caetano pela Copa João Havelange.  
A entrega das faixas de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino ocorreu no dia 17 de dezembro de 2000, quando as campeãs deram uma volta olímpica no Estádio Olímpico lotado de torcedores por ocasião da partida entre Grêmio e São Caetano pela Copa João Havelange.  


[[Arquivo:Foto.16.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.16.png|550px|thumb|As jogadoras fazem a volta olímpica no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Na imagem, as jogadoras fazem a volta olímpica no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido.
   
   


Linha 185: Linha 169:
A conquista do segundo Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino veio já em 2001, numa campanha novamente marcada por diversas goleadas. O técnico Mauro Verardi relacionou as seguintes atletas para a final contra o S.C. Internacional no dia 15/12/2001: Maravilha, Desireé, Débora, Romana, Tati, Adriana, Pulga, Maicon, Nilda, Mancha, Tupã, Meire, Fernanda, Inamara, Vera, Nádia, Scheila e Aline. O gol da vitória de 1x0 no Estádio Olímpico foi marcado por Tupã.  
A conquista do segundo Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino veio já em 2001, numa campanha novamente marcada por diversas goleadas. O técnico Mauro Verardi relacionou as seguintes atletas para a final contra o S.C. Internacional no dia 15/12/2001: Maravilha, Desireé, Débora, Romana, Tati, Adriana, Pulga, Maicon, Nilda, Mancha, Tupã, Meire, Fernanda, Inamara, Vera, Nádia, Scheila e Aline. O gol da vitória de 1x0 no Estádio Olímpico foi marcado por Tupã.  


[[Arquivo:Foto.17.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.17.png|550px|thumb|A foto oficial de Bicampeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2001. Acervo da jogadora Jalma da Costa Ramos/Fotógrafo Ribeiro]]<br>
Na imagem, a foto oficial de Bicampeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2001. Acervo da jogadora Jalma da Costa Ramos/Fotógrafo Ribeiro.
   
   


Linha 195: Linha 178:
Durante a maior parte dos seis anos de duração da 2ª fase do futebol feminino gremista, o posto de capitã foi da zagueira Débora Mancia.  
Durante a maior parte dos seis anos de duração da 2ª fase do futebol feminino gremista, o posto de capitã foi da zagueira Débora Mancia.  


[[Arquivo:Foto.18.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.18.png|550px|thumb|Equipe gremista comemora o título de Campeão da II Copa Sul-Brasileira. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido]]<br>
Equipe gremista comemora o título de Campeão da II Copa Sul-Brasileira. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido.
   
   


Linha 203: Linha 185:
2017 marca o início de uma nova fase na história do futebol feminino gremista. Em parceria com a Associação Gaúcha de Futebol Feminino, o Grêmio reabriu seu departamento e montou sua equipe para a disputa do Campeonato Brasileiro A1 de 2017. O primeiro confronto do retorno da modalidade ao Clube ocorreu no dia 12 de março de 2017, quando o Tricolor venceu o Vitória-PE por 1x0, no Centro de Formação e Treinamento Presidente Hélio Dourado, em Eldorado do Sul/RS.
2017 marca o início de uma nova fase na história do futebol feminino gremista. Em parceria com a Associação Gaúcha de Futebol Feminino, o Grêmio reabriu seu departamento e montou sua equipe para a disputa do Campeonato Brasileiro A1 de 2017. O primeiro confronto do retorno da modalidade ao Clube ocorreu no dia 12 de março de 2017, quando o Tricolor venceu o Vitória-PE por 1x0, no Centro de Formação e Treinamento Presidente Hélio Dourado, em Eldorado do Sul/RS.


[[Arquivo:Foto.19.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.19.png|550px|thumb|A equipe antes da partida no Centro de Treinamento Presidente Hélio Dourado. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel]]<br>
Na imagem, a equipe antes da partida no Centro de Treinamento Presidente Hélio Dourado. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Lucas Uebel.
   
   


Os movimentos em busca da igualdade de gênero e a intensificação das denúncias de discriminação e violência contra as mulheres tiveram eco também no mundo do futebol. A partir de 2019, por determinação das entidades desportivas, passou-se a exigir que clubes participantes da série A do Campeonato Brasileiro e das copas Sul-Americana e Libertadores da América mantenham equipes de futebol feminino. Nesse contexto, o Grêmio tornou-se uma das primeiras equipes a atenderem a obrigatoriedade, reabrindo seu departamento ainda em 2017.   
Os movimentos em busca da igualdade de gênero e a intensificação das denúncias de discriminação e violência contra as mulheres tiveram eco também no mundo do futebol. A partir de 2019, por determinação das entidades desportivas, passou-se a exigir que clubes participantes da série A do Campeonato Brasileiro e das copas Sul-Americana e Libertadores da América mantenham equipes de futebol feminino. Nesse contexto, o Grêmio tornou-se uma das primeiras equipes a atenderem a obrigatoriedade, reabrindo seu departamento ainda em 2017.   


[[Arquivo:Foto.20.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.20.png|550px|thumb|As jogadoras entram em campo pedindo o fim da violência contra a mulher. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel]]<br>
Na imagem, as jogadoras entram em campo pedindo o fim da violência contra a mulher. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Lucas Uebe
 


Patrícia Gusmão foi a escolhida para comandar as #GuriasGremistas na volta do futebol feminino ao Grêmio. Com uma longa experiência no futebol, primeiro como atleta e depois como treinadora, Patrícia completou sua quinta temporada à frente da equipe tricolor em 2022. A comissão técnica de 2017 era composta ainda pelo assistente técnico Bagé, pela treinadora de goleiras Sol Farias, pelos preparadores físicos Mauro Cruz e Vainon Rodrigues e pelo fisioterapeuta Paulo Henrique. A direção do departamento ficou a cargo do histórico ex-atleta gremista Júlio Titow, o Yura.  
Patrícia Gusmão foi a escolhida para comandar as #GuriasGremistas na volta do futebol feminino ao Grêmio. Com uma longa experiência no futebol, primeiro como atleta e depois como treinadora, Patrícia completou sua quinta temporada à frente da equipe tricolor em 2022. A comissão técnica de 2017 era composta ainda pelo assistente técnico Bagé, pela treinadora de goleiras Sol Farias, pelos preparadores físicos Mauro Cruz e Vainon Rodrigues e pelo fisioterapeuta Paulo Henrique. A direção do departamento ficou a cargo do histórico ex-atleta gremista Júlio Titow, o Yura.  


    
    
'''Campeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2018'''
'''Campeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2018'''


O terceiro título de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino veio já no segundo ano do recomeço da modalidade no Grêmio. A dupla Gre-Nal chegou mais uma vez à final. A partida de ida ocorreu no Estádio Vieirão, lar da equipe gremista, e teve como resultado um 0x0. A escalação do técnico Yura Titow foi: Carla, Ji (Rafa), Bruna, Beta, Tchula (Carioca), Hadri, Taba, Luiza (Jé Alves), Thamires, Vitória (Gabi) e Andressinha (Carlinha).   
O terceiro título de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino veio já no segundo ano do recomeço da modalidade no Grêmio. A dupla Gre-Nal chegou mais uma vez à final. A partida de ida ocorreu no Estádio Vieirão, lar da equipe gremista, e teve como resultado um 0x0. A escalação do técnico Yura Titow foi: Carla, Ji (Rafa), Bruna, Beta, Tchula (Carioca), Hadri, Taba, Luiza (Jé Alves), Thamires, Vitória (Gabi) e Andressinha (Carlinha).   


[[Arquivo:Foto.21.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.21.png|550px|thumb|A equipe gremista da primeira partida da final do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel]]<br>
Na imagem, a equipe gremista da primeira partida da final do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Lucas Uebel.
   
   


O gol de Gabizinha que garantiu o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a defesa da goleira Carla nos pênaltis e as cinco cobranças de excelência das jogadoras Thamirys, Beta, Rafa Ancheta, Carlinha e Taba consagraram o Grêmio como Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. Para o jogo da final no dia 09 de dezembro de 2018, o técnico Yura Titow escalou: Carla, Ji (Carlinha), Bruna, Beta, Tchula, Hadri (Ana), Taba, Luiza (Carioca), Thamires, Vitória (Su) e Gabizinha (Rafa).   
O gol de Gabizinha que garantiu o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a defesa da goleira Carla nos pênaltis e as cinco cobranças de excelência das jogadoras Thamirys, Beta, Rafa Ancheta, Carlinha e Taba consagraram o Grêmio como Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. Para o jogo da final no dia 09 de dezembro de 2018, o técnico Yura Titow escalou: Carla, Ji (Carlinha), Bruna, Beta, Tchula, Hadri (Ana), Taba, Luiza (Carioca), Thamires, Vitória (Su) e Gabizinha (Rafa).   


[[Arquivo:Foto.22.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.22.png|550px|thumb|As gremistas comemoram o Tricampeonato Gaúcho de Futebol Feminino no Estádio Beira-Rio. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel]]<br>
Na imagem, as gremistas comemoram o Tricampeonato Gaúcho de Futebol Feminino no Estádio Beira-Rio. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Lucas Uebel.
 
 


'''Retorno à Série A1 do Brasileirão'''
'''Retorno à Série A1 do Brasileirão'''
Linha 235: Linha 211:
No dia 20/07/2019, após terem vencido o América-MG por 2x1 no jogo de ida das quartas de final do Brasileirão Feminino A2 de 2019, as Gurias Gremistas garantiram a volta do Grêmio à série A1 do campeonato ao empatarem em 0x0 com as mineiras no Vieirão.  
No dia 20/07/2019, após terem vencido o América-MG por 2x1 no jogo de ida das quartas de final do Brasileirão Feminino A2 de 2019, as Gurias Gremistas garantiram a volta do Grêmio à série A1 do campeonato ao empatarem em 0x0 com as mineiras no Vieirão.  


[[Arquivo:Foto.23.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.23.png|550px|thumb|A equipe profissional que garantiu a volta do Grêmio à série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafa: Jéssica Maldonado]]<br>
Na imagem, a equipe profissional que garantiu a volta do Grêmio à série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafa Jéssica Maldonado.
   
   


Linha 243: Linha 218:
A partida entre Grêmio e Corinthians pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A1 de 2020 teve um cenário diferente. Atendendo a uma solicitação da CBF, pela primeira vez um jogo da equipe feminina tricolor foi disputado na Arena do Grêmio. A mudança de local foi simbólica e teve como objetivo principal dar mais visibilidade ao futebol de mulheres.
A partida entre Grêmio e Corinthians pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A1 de 2020 teve um cenário diferente. Atendendo a uma solicitação da CBF, pela primeira vez um jogo da equipe feminina tricolor foi disputado na Arena do Grêmio. A mudança de local foi simbólica e teve como objetivo principal dar mais visibilidade ao futebol de mulheres.


[[Arquivo:Foto.24.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.24.png|thumb|A equipe gremista entra em campo na Arena vestindo a camisa alusiva ao Outubro Rosa. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo: Fernando Alves]]<br>
Na imagem, a equipe gremista entra em campo na Arena vestindo a camisa alusiva ao Outubro Rosa. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Fernando Alves.
   
   


Linha 251: Linha 225:
A ex-atacante Karina Balestra colecionou muitos momentos memoráveis no futebol, vários deles nas três temporadas em que integrou a equipe Tricolor. Com 56 gols, é dela o título de maior artilheira do Grêmio desde o retorno da modalidade ao Clube em 2017. A também ex-atleta da Seleção Brasileira se despediu dos gramados no final de 2020, após mais de 20 anos em campo.
A ex-atacante Karina Balestra colecionou muitos momentos memoráveis no futebol, vários deles nas três temporadas em que integrou a equipe Tricolor. Com 56 gols, é dela o título de maior artilheira do Grêmio desde o retorno da modalidade ao Clube em 2017. A também ex-atleta da Seleção Brasileira se despediu dos gramados no final de 2020, após mais de 20 anos em campo.


[[Arquivo:Foto.25.png|thumb|right]]<br>
[[Arquivo:Foto.25.png|550px|thumb|A capitã Karina Balestra em lance na partida entre Grêmio e Vitória-PE em 2017. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo: Lucas Uebel]]<br>
Na imagem, a capitã Karina Balestra em lance na partida entre Grêmio e Vitória-PE em 2017. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Lucas Uebel.
   
   


Linha 258: Linha 231:


Com o objetivo de formar atletas para a equipe profissional, a categoria sub-18 do futebol feminino do Grêmio foi estruturada em novembro de 2020 e contou com um grupo de cerca de 25 atletas. Em 2021, o plantel comandado por Yura Titow era composto por: Iasmin Paixão, Marina, Camargo, Cinthia, Duda Figueiró, Ana Guimarães, Laura Badin, Carol Quaresma, Duda, Letícia Camilotti, Mari Pires, Raíssa Bahia, Raíssa Rocha, Ana Ferreira, Giovanna, Joice, Juju, Lary, Gaby Santos, Giulinha, Letícia Xing, Naiane, Nicoly, Nubia Cabral, Paola Kichler, Íris e Bruna Carioca.  
Com o objetivo de formar atletas para a equipe profissional, a categoria sub-18 do futebol feminino do Grêmio foi estruturada em novembro de 2020 e contou com um grupo de cerca de 25 atletas. Em 2021, o plantel comandado por Yura Titow era composto por: Iasmin Paixão, Marina, Camargo, Cinthia, Duda Figueiró, Ana Guimarães, Laura Badin, Carol Quaresma, Duda, Letícia Camilotti, Mari Pires, Raíssa Bahia, Raíssa Rocha, Ana Ferreira, Giovanna, Joice, Juju, Lary, Gaby Santos, Giulinha, Letícia Xing, Naiane, Nicoly, Nubia Cabral, Paola Kichler, Íris e Bruna Carioca.  
    
    


Linha 265: Linha 237:
A conquista do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018 fez Carlinha deixar definitivamente seu nome marcado na história do futebol feminino tricolor. A ex-atacante é a única atleta a ter participado de três títulos de campeão estadual do clube. A aposentadoria no final de 2020 não a afastou do mundo do esporte e atualmente é funcionária do Departamento de Futebol Feminino do Grêmio.  
A conquista do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018 fez Carlinha deixar definitivamente seu nome marcado na história do futebol feminino tricolor. A ex-atacante é a única atleta a ter participado de três títulos de campeão estadual do clube. A aposentadoria no final de 2020 não a afastou do mundo do esporte e atualmente é funcionária do Departamento de Futebol Feminino do Grêmio.  


[[Arquivo:Foto.26.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.26.png|550px|thumb|Carlinha posa com as três faixas de Campeã Gaúcha e com a placa de homenagem recebida pelas mãos do Presidente Romildo Bolzan Jr. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafa: Jéssica Maldonado]]<br>
Na imagem, Carlinha da Silva Antônio posa com as três faixas de Campeã Gaúcha e com a placa de homenagem recebida pelas mãos do Presidente Romildo Bolzan Jr. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafa Jéssica Maldonado.
   
   


Linha 281: Linha 252:
'''Supercopa 2022'''
'''Supercopa 2022'''


Na disputa da Supercopa do Brasil de Futebol Feminino 2022, as jogadoras gremistas fizeram história mais uma vez. Após o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a vitória nos pênaltis sobre o Flamengo na semifinal, tornou o Grêmio o primeiro clube gaúcho a chegar à final de uma competição nacional de futebol feminino.  
Na disputa da Supercopa do Brasil de Futebol Feminino 2022, as jogadoras gremistas fizeram história mais uma vez. Após o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a vitória nos pênaltis sobre o Flamengo na semifinal, tornou o Grêmio o primeiro clube gaúcho a chegar à final de uma competição nacional de futebol feminino.<br>
 
[[Arquivo:Foto.27.png|550px|thumb|A equipe que disputou a final da Supercopa do Brasil contra o Corinthians. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Agência PressDigital/Fotógrafo: Robson Fernandes]]<br>
[[Arquivo:Foto.27.png|thumb|right]]<br>
Na imagem, a equipe que disputou a final da Supercopa do Brasil contra o Corinthians. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Agência PressDigital/Fotógrafo Robson Fernandes.
    
    


Linha 291: Linha 260:
Após um empate de 1x1 no primeiro jogo da final, a partida decisiva do Gauchão Feminino de 2022 foi disputada na Arena do Grêmio junto ao maior público gremista da história da modalidade no Clube. Com gols de Cássia, Luany, Karla Alves e Caty, a vitória de 4x1 sobre o rival Internacional deu ao Grêmio o título de Tetracampeão Gaúcho de Futebol Feminino. A escalação tricolor da técnica Patrícia Gusmão foi: Lorena, Sinara, Tuani (Mónica Ramos), Pati Maldaner, Jéssica Soares, Jessica Peña, Karla Alves, Rafa Levis (Caty), Luany (Dani Ortolan), Cássia e Lais Estevam (Dani Barão).  
Após um empate de 1x1 no primeiro jogo da final, a partida decisiva do Gauchão Feminino de 2022 foi disputada na Arena do Grêmio junto ao maior público gremista da história da modalidade no Clube. Com gols de Cássia, Luany, Karla Alves e Caty, a vitória de 4x1 sobre o rival Internacional deu ao Grêmio o título de Tetracampeão Gaúcho de Futebol Feminino. A escalação tricolor da técnica Patrícia Gusmão foi: Lorena, Sinara, Tuani (Mónica Ramos), Pati Maldaner, Jéssica Soares, Jessica Peña, Karla Alves, Rafa Levis (Caty), Luany (Dani Ortolan), Cássia e Lais Estevam (Dani Barão).  


[[Arquivo:Foto.28.png|thumb|left]]<br>
[[Arquivo:Foto.28.png|550px|thumb|As gremistas comemoram o Tetracampeonato Gaúcho de Futebol Feminino na Arena do Grêmio. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Fernando Alves]]<br>
Na imagem, as gremistas comemoram o Tetracampeonato Gaúcho de Futebol Feminino na Arena do Grêmio. CRÉDITOS: Grêmio F.B.P.A./Fotógrafo Fernando Alves.


'''Fonte: Site Grêmio FBPA'''
'''Fonte: Site Grêmio FBPA'''


[[Categoria:Profissional]]
[[Categoria:Profissional]]

Edição das 23h05min de 19 de janeiro de 2025

DAS PIONEIRAS ÀS GURIAS GREMISTAS

1ª FASE: 1980 e 1983 – AS PIONEIRAS

Foi no segundo semestre de 1980 que um grupo de mulheres capitaneadas por Marianita da Silva Nascimento formou o primeiro time de futebol feminino do Grêmio FBPA, durante a gestão do Presidente Hélio Dourado. Essas jogadoras atuaram juntas durante anos a fio e integraram diversas equipes amadoras, entre elas a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa (SACC) e o Esporte Futebol Clube, esse último muito associado ao Grêmio. Eram tempos de quase nenhum incentivo às jogadoras e de repressão aos clubes que resolvessem abraçar a modalidade, já que o Decreto-Lei Nº 3.199 de 14 de abril de 1941 proibia o futebol feminino em território nacional sob a justificativa de que “era incompatível com a natureza feminina”. A regulamentação só viria em 1983.

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A primeira equipe do Grêmio FBPA, formada por: (em pé, da esquerda para a direita) Sônia, Lili, Vera, Silvana, Ângela e Aninha; (agachadas, da esquerda para a direita) Breca, Macalão, Marianita, Marinilsa e Mara. Crédito: Revista Manchete, 20/11/1980



Os limites impostos pelas proibições legais então vigentes não impediram que a primeira equipe gremista disputasse uma Copa Ajax de futebol de salão, além de um amistoso contra o time de futebol feminino da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A primeira passagem do grupo pioneiro pelo Clube foi bastante breve e as atletas foram dispensadas já no início de 1981, fato esse que foi seguido pela fundação do Esporte Futebol Clube. Pelo Esporte FC disputaram torneios históricos como o I Campeonato Gaúcho extraoficial de futebol feminino de 1982, no qual sagraram-se campeãs, e o I Torneio Brasileiro de Clubes Campeões de Futebol Feminino na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em abril de 1983.

Jogadoras perfiladas no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos, 1980



A SACC e a inauguração do Olímpico Monumental

Ainda representando a Sociedade de Amigos de Capão da Canoa, SACC, as jogadoras pioneiras foram convidadas a disputarem um torneio dentro das festividades de inauguração do Estádio Olímpico Monumental, em junho de 1980, marcando o início da aproximação do grupo de atletas com o Tricolor. As partidas foram motivo de atrito entre o Grêmio e os órgãos que acusavam o descumprimento do decreto de proibição do futebol de mulheres.

Medalha de vice-campeã entregue às jogadoras da SACC no torneio de inauguração do Estádio Olímpico Monumental. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Marli de Almeida Santos



Marianita entra em campo

Personagem importante do futebol feminino brasileiro, a meio-campista Marianita da Silva Nascimento deixou seu nome registrado na história da modalidade, dentro e fora de campo. Sua grande habilidade no futebol, reverenciada pelas jogadoras e imprensa da época, combinava-se com uma atuação sólida junto a dirigentes esportivos e à classe política em prol da regulamentação do futebol feminino no país. Por influência do pai Aymoré, ex-conselheiro do Grêmio, e do irmão Deco Nascimento, conselheiro e ex-diretor de futebol do Clube, tornou-se gremista e aproximou-se do futebol muito cedo. Essas origens, junto a uma personalidade determinada, foram essenciais para que, anos mais tarde, se tornasse a grande responsável pela chegada do futebol de mulheres ao Grêmio.

Em junho de 1982, Marianita e as jogadoras Macalão e Mara integraram a histórica excursão do E.C. Radar à Espanha, a primeira vez em que um time de mulheres sul-americano e um europeu teriam se enfrentado segundo fontes da época. O convite partiu de Eurico Lyra, presidente da emblemática equipe carioca multicampeã da década de 1980. A delegação brasileira recebeu o status de seleção pela imprensa local e venceu de todos os amistosos disputados. A viagem tinha também um caráter político, pois atletas e dirigentes manifestavam publicamente seu desejo pela possibilidade de profissionalização do futebol feminino em terras brasileiras. Marianita retornou ao Brasil como atleta destaque, fato cuja repercussão fortaleceu ainda mais sua figura de liderança.


Luta pela regulamentação do futebol feminino

O pedido de regulamentação do futebol feminino no Brasil precisou ser formalizado por uma ampla documentação e foi na Federação Gaúcha de Futebol que, em 1982, teve origem um anteprojeto de grande importância para esse processo. Composta sobretudo por dirigentes esportivos, uma comissão criada para redigir tal documento realizou um grande senso do futebol feminino no estado. Integrando o grupo, foi a Marianita Nascimento a quem coube desempenhar a função de elo entre dirigentes e jogadoras. Ainda em novembro de 1981, Marianita já havia trabalhado em conjunto com o então vereador Valdir Fraga da Silva para levar o tema da regulamentação do futebol feminino para a Câmara Municipal de Porto Alegre.

Na impossibilidade de obterem apoio de entidades e grandes agremiações esportivas, restava às próprias jogadoras que se organizassem. Com esse intuito, foi criada a Liga Porto-Alegrense de Futebol Feminino, entidade que buscou unir forças em prol da regulamentação da modalidade. Sob a presidência de Marianita e enfrentando diversos obstáculos, a Liga promoveu o primeiro Campeonato Gaúcho extraoficial de futebol feminino no segundo semestre de 1982. Na ocasião, as agremiações de futebol de Porto Alegre foram proibidas de cederem qualquer espaço para a realização do campeonato e, mais uma vez, foram os campos de praças e colégios que abrigaram as partidas. Na final, o Esporte F.C. venceu o Pepsi-Bola e foi campeão.

O título extraoficial de campeão do estado de 1982 rendeu ao Esporte F.C. o convite para mais um importante torneio praiano na cidade do Rio de Janeiro. Um dos nomes que a competição recebeu foi I Torneio Brasileiro de Clubes Campeões de Futebol Feminino e ocorreu entre os dias 09 e 10/04/1983. Dele também participaram os campeões extraoficiais dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Curiosamente, o Esporte FC foi chamado de Grêmio Esporte Clube na imprensa carioca, fato que ao chegar ao conhecimento do Presidente Fábio Koff causou surpresa. O Grêmio EC alcançou o segundo lugar nas areias de Copacabana e, duas semanas depois, com o apoio dos dirigentes gremistas, se transformou oficialmente no Grêmio FBPA., marcando o retorno das pioneiras ao Clube.


O Futebol Feminino retorna ao Grêmio

Em maio de 1983, cerca de um mês após a regulamentação do futebol feminino no Brasil, a modalidade retorna ao Grêmio por iniciativa do mesmo grupo de jogadoras de 1980 e novamente sob o comando de Marianita. Dessa vez, o apoio veio do Presidente Fábio Koff e um departamento foi oficialmente constituído, vinculando-se ao Departamento de Esportes Amadores.

Em pé, da esquerda para a direita: Ângela, Lacy, Ivone, Lili, Rosa e Granado; agachadas: Piu, Marianita, Rosane, Aninha e Marinilsa. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Maria Aparecida Granado, 1983/Fotógrafo desconhecido


A dedicação das jogadoras pioneiras à camisa tricolor ia muito além da garra que demonstravam dentro de campo. Os desafios em relação à estrutura que a época lhes impunha eram diversos: não raro comprava-se as próprias chuteiras, ajustava-se o uniforme com linha e agulha, coletava-se dinheiro para custear as viagens ao encontro dos adversários e recebia-se o aplauso da torcida como único pagamento. As limitações eram compensadas com muito esforço e amor pela bola.

A equipe de futebol feminino gremista de 1983 contava com as seguintes atletas:
Ana Maria Gasparotto (Aninha)
Anelise Kaysir
Ângela Maria Ribeiro
Celanir Pacheco Suez
Débora Eunice Lopes Carvalho
Dione Webber Carlos
Eva Maria Vargas
Gisela Maria Dutra Pithan (Piu)
Ivone T. Dallegrave
Jadi Maria Ferroni
Janilce Conceição Viana
Joceli Martins Leandro
Lacy Alves Vianna
Ligia Luz Livi
Mara Lúcia dos Santos
Mara Rosane Moreira Prado
Mara Rosane Rosa Ribeiro
Marcia Amaral Macalão (Macalão)
Maria Aparecida Granado (Granado)
Maria Luiza de Oliveira
Marianita da Silva Nascimento
Marinilsa Souza Conceição
Marli Beatriz de Almeida Santos (Lili)
Miriam Costa Baratojo
Nair Serenita dos Santos
Neisa Chagas (Mineiro)
Neusa Nazari
Patrícia Adriano Martins
Rejane Mattos Roldão
Rosane Machado Rollo
Rosamaria Griebeler (Rosa)
Rosemaria Pesente
Silvia Denise Boneberg
Silvia Fattori
Vandelina Kaodinski
Vera Lúcia da Silva
Vera Regina Marcelino

A primeira comissão técnica

Entre os maiores incentivadores da equipe de 1983 estava João Luís Thomé Rollo, o Tuba. Gremista apaixonado por influência da família, Tuba assumiu o posto de assessor do futebol feminino e é lembrado pelas atletas da época por seu carisma e dedicação ao departamento, sendo inclusive treinador do time em algumas oportunidades. A comissão responsável pelo departamento contava ainda com Jerônimo Moreno como preparador físico, Márcia Macalão como treinadora e Wilson Bona, o Dadinho, como diretor.


A temporada de 1983

Além dos jogos do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 1983, outro marco na história da modalidade no Rio Grande do Sul, a equipe gremista disputou diversos amistosos no estado e fora dele. Um dos mais emblemáticos foi contra o Bangu do Rio de Janeiro, em pleno Maracanã, minutos antes da partida entre as equipes masculinas de Grêmio e Flamengo pela Copa Libertadores da América de 1983.

Em pé, da esquerda para direita: Dione, Ivone, Vera, Rosa, Granado e Lacy; agachadas: Rosane, Marianita, Aninha, Piu e Marinilsa. CRÉDITO: Acervo da ex-jogadora Ana Maria Gasparotto, 1983/Fotógrafo desconhecido


O primeiro Gre-Nal de futebol feminino foi um amistoso disputado no dia 26/06/1983 na cidade de Camaquã/RS e cujo placar foi 0x0. Os clássicos seguintes foram disputados pelo Campeonato Gaúcho, competição na qual as gremistas foram vice-campeãs.

As jogadoras da dupla Gre-Nal se enfrentam pelo Campeonato Gaúcho de 1983. CRÉDITO: Revista Manchete, 10/12/1983/Fotógrafo Paulo Franken


Em 1984, diante de um novo revés, as pioneiras gremistas marcaram mais uma vez a história do futebol de mulheres no Rio Grande do Sul. Após o encerramento do Departamento de Futebol Feminino Tricolor no início daquele ano, a busca por autonomia levou as jogadoras a decidirem pela criação do próprio clube: o Independente Futebol Clube, em 23/11/1984 - primeira agremiação exclusivamente de futebol feminino a se filiar à Federação Gaúcha de Futebol.


2ª FASE: 1997 - 2002 – AS PRIMEIRAS CAMPEÃS

Um novo e vitorioso capítulo do futebol de mulheres no Tricolor teve início no 8 de março de 1997, Dia da Mulher, com a recriação do Departamento de Futebol Feminino. Nessa segunda fase da modalidade no Grêmio, a iniciativa partiu do próprio Clube que, em maio daquele ano, realizou uma peneira na qual compareceram cerca de 450 jogadoras.

Uma das formações de 1997: Capixaba, Leila, Eleonora, Alegrete, Débora e Patricia, Suzete, Andréa, Cebola, Maira e Taís. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Patricia França Ruas/Fotógrafo desconhecido


Além das equipes adulta, sub-20 e sub-17, foi criada no mesmo 8 de março de 1997 uma escolinha de futebol para meninas de 7 a 14 anos. Eram cerca de 60 mulheres representando o Grêmio em 1997.

A atleta Suzana, ponta-direita da Escolinha, no II Grand Prix de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido



Primeiro Título - Copa 90 Anos do E.C. Pelotas

Realizada entre os dias 28 e 29/03/1998, a Copa 90 Anos do E.C. Pelotas foi o primeiro título conquistado pela equipe gremista na história da modalidade no Clube. A pressão das adversárias desde a chegada ao Estádio Boca do Lobo motivou ainda mais a equipe gremista que conquistou a Copa de forma invicta: Grêmio 2x0 S.C. Internacional, Grêmio 4x1 S.C. São Paulo-Rio Grande e Grêmio 1x0 E.C. Pelotas.

As campeãs comemoram o título de Campeão da Copa 90 Anos do EC Pelotas. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido



O Grêmio em Montevidéu

A relação histórica entre Grêmio e Nacional do Uruguai teve mais um capítulo no dia 13 de junho de 1998, quando um amistoso foi realizado em Montevidéu entre as respectivas equipes de futebol feminino. A convite do clube uruguaio, então campeão nacional da modalidade, a partida foi disputada no Estádio Gran Parque Central e terminou em 2x2, com os gols gremistas marcados por Taís e Xuxa.

A delegação tricolor em visita turística ao Estádio Centenario de Montevidéu. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido



Depois da excursão a Montevidéu, foi a vez do Grêmio retribuir o convite das uruguaias promovendo um amistoso no Estádio Olímpico. A partida ocorreu no dia 29 de agosto de 1998, na preliminar entre Grêmio e Palmeiras pelo Campeonato Brasileiro. Com dois gols de Taís e um de Bel, a equipe gremista venceu o Nacional por 3x1.

Vanderléia disputa a bola com a atleta do Nacional. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido



Brasileirão

Já no segundo ano da modalidade, em 1998, a equipe gremista alcançou o 5º lugar no II Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, em Goiânia/GO, também conhecido como Taça Brasil. A comissão técnica era integrada por Telmo Espindola (técnico), Luiz Antonio Ferla Castegnaro (Treinador de goleiras), Mario Liguiçano (Fisioterapeuta), Inacarla Soares da Rosa (Massagista), Sandra Godoy da Silva (Roupeira) e Gelci Godoy Flores (Assessora). A participação seguinte do clube na competição ocorreu em 2000.

As jogadoras Cebola, Débora, Patricia e Carina posam para a foto no Estádio Serra Dourada, em Goiânia/GO. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido



II Copa de Inverno de Gramado

A conquista da II Copa de Inverno de Gramado, disputada nos dias 25 e 26 de julho de 1998, é outro capítulo marcante na trajetória do futebol feminino Tricolor. Com gols de Lisiane, a vitória por 2x1 sobre o São Paulo F.C. tornou-se um feito muito significativo para as gremistas, já que o tricolor paulista era o campeão brasileiro da modalidade na época e possuía sete jogadoras da Seleção Brasileira em seu elenco. O Grêmio venceu ainda o S.C. Internacional por 5x2 e o Gramadense por 2x1.

A equipe gremista na abertura da competição no Estádio dos Pinheirais, em Gramado/RS. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Vanderléia Schneider/Fotógrafo desconhecido



Campeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2000

Após ser vice-campeão nos dois anos anteriores, o Grêmio conquistou seu primeiro Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino no ano 2000. Na final de uma campanha repleta de goleadas, o Tricolor venceu o S.C. Internacional por 2x0 com gols de Pulga e Mancha. A escalação do técnico James Freitas para a final no dia 10/12/2000 foi: Meire, Fernanda, Débora, Romana, Tatiana, Adriana, Aline, Desireé (Nadia), Pulga (Lunalva), Mancha e Tupã.

A foto oficial de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2000. CRÉDITOS: Acervo do Museu do Grêmio/Fotógrafo desconhecido



A entrega das faixas de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino ocorreu no dia 17 de dezembro de 2000, quando as campeãs deram uma volta olímpica no Estádio Olímpico lotado de torcedores por ocasião da partida entre Grêmio e São Caetano pela Copa João Havelange.

As jogadoras fazem a volta olímpica no Estádio Olímpico. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido



Copa Mercosul de Futebol Feminino

As vitórias sobre o Nacional do Uruguai por 2x0 e sobre o Brasil de Pelotas por 3x0 levaram o Grêmio a conquistar a Copa Mercosul de Futebol Feminino no dia 17 de junho de 2001. A competição fez parte da programação da tradicional FENADOCE de Pelotas/RS e teve a jogadora tricolor Mancha como goleadora, com três gols.

Bicampeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2001

A conquista do segundo Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino veio já em 2001, numa campanha novamente marcada por diversas goleadas. O técnico Mauro Verardi relacionou as seguintes atletas para a final contra o S.C. Internacional no dia 15/12/2001: Maravilha, Desireé, Débora, Romana, Tati, Adriana, Pulga, Maicon, Nilda, Mancha, Tupã, Meire, Fernanda, Inamara, Vera, Nádia, Scheila e Aline. O gol da vitória de 1x0 no Estádio Olímpico foi marcado por Tupã.

A foto oficial de Bicampeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2001. Acervo da jogadora Jalma da Costa Ramos/Fotógrafo Ribeiro



II Copa Sul-Brasileira

Entre 21 e 24 de março de 2002, o Grêmio conquistou a II Copa Sul-Brasileira, seu último título antes do encerramento das atividades do Departamento de Futebol Feminino no final daquele ano. A competição ocorrida em Colombo/PR foi disputada entre clubes representantes dos três estados da região sul do Brasil e o Tricolor obteve os seguintes resultados: Grêmio 12x0 Colombo F.C., Grêmio 2x1 S.C. Internacional, Grêmio 8x0 Scorpions e Grêmio 3x0 Foz do Iguaçu.

Durante a maior parte dos seis anos de duração da 2ª fase do futebol feminino gremista, o posto de capitã foi da zagueira Débora Mancia.

Equipe gremista comemora o título de Campeão da II Copa Sul-Brasileira. CRÉDITOS: Acervo da ex-jogadora Débora Mancia/Fotógrafo desconhecido



3ª FASE: 2017 - Atualmente – AS GURIAS GREMISTAS

2017 marca o início de uma nova fase na história do futebol feminino gremista. Em parceria com a Associação Gaúcha de Futebol Feminino, o Grêmio reabriu seu departamento e montou sua equipe para a disputa do Campeonato Brasileiro A1 de 2017. O primeiro confronto do retorno da modalidade ao Clube ocorreu no dia 12 de março de 2017, quando o Tricolor venceu o Vitória-PE por 1x0, no Centro de Formação e Treinamento Presidente Hélio Dourado, em Eldorado do Sul/RS.

A equipe antes da partida no Centro de Treinamento Presidente Hélio Dourado. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel



Os movimentos em busca da igualdade de gênero e a intensificação das denúncias de discriminação e violência contra as mulheres tiveram eco também no mundo do futebol. A partir de 2019, por determinação das entidades desportivas, passou-se a exigir que clubes participantes da série A do Campeonato Brasileiro e das copas Sul-Americana e Libertadores da América mantenham equipes de futebol feminino. Nesse contexto, o Grêmio tornou-se uma das primeiras equipes a atenderem a obrigatoriedade, reabrindo seu departamento ainda em 2017.

As jogadoras entram em campo pedindo o fim da violência contra a mulher. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel


Patrícia Gusmão foi a escolhida para comandar as #GuriasGremistas na volta do futebol feminino ao Grêmio. Com uma longa experiência no futebol, primeiro como atleta e depois como treinadora, Patrícia completou sua quinta temporada à frente da equipe tricolor em 2022. A comissão técnica de 2017 era composta ainda pelo assistente técnico Bagé, pela treinadora de goleiras Sol Farias, pelos preparadores físicos Mauro Cruz e Vainon Rodrigues e pelo fisioterapeuta Paulo Henrique. A direção do departamento ficou a cargo do histórico ex-atleta gremista Júlio Titow, o Yura.


Campeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2018

O terceiro título de Campeão Gaúcho de Futebol Feminino veio já no segundo ano do recomeço da modalidade no Grêmio. A dupla Gre-Nal chegou mais uma vez à final. A partida de ida ocorreu no Estádio Vieirão, lar da equipe gremista, e teve como resultado um 0x0. A escalação do técnico Yura Titow foi: Carla, Ji (Rafa), Bruna, Beta, Tchula (Carioca), Hadri, Taba, Luiza (Jé Alves), Thamires, Vitória (Gabi) e Andressinha (Carlinha).

A equipe gremista da primeira partida da final do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel



O gol de Gabizinha que garantiu o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a defesa da goleira Carla nos pênaltis e as cinco cobranças de excelência das jogadoras Thamirys, Beta, Rafa Ancheta, Carlinha e Taba consagraram o Grêmio como Campeão Gaúcho de Futebol Feminino de 2018. Para o jogo da final no dia 09 de dezembro de 2018, o técnico Yura Titow escalou: Carla, Ji (Carlinha), Bruna, Beta, Tchula, Hadri (Ana), Taba, Luiza (Carioca), Thamires, Vitória (Su) e Gabizinha (Rafa).

As gremistas comemoram o Tricampeonato Gaúcho de Futebol Feminino no Estádio Beira-Rio. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Lucas Uebel



Retorno à Série A1 do Brasileirão

No dia 20/07/2019, após terem vencido o América-MG por 2x1 no jogo de ida das quartas de final do Brasileirão Feminino A2 de 2019, as Gurias Gremistas garantiram a volta do Grêmio à série A1 do campeonato ao empatarem em 0x0 com as mineiras no Vieirão.

A equipe profissional que garantiu a volta do Grêmio à série A1 do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafa: Jéssica Maldonado



Primeiro jogo na Arena do Grêmio

A partida entre Grêmio e Corinthians pelas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino A1 de 2020 teve um cenário diferente. Atendendo a uma solicitação da CBF, pela primeira vez um jogo da equipe feminina tricolor foi disputado na Arena do Grêmio. A mudança de local foi simbólica e teve como objetivo principal dar mais visibilidade ao futebol de mulheres.

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A equipe gremista entra em campo na Arena vestindo a camisa alusiva ao Outubro Rosa. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo: Fernando Alves



Maior Artilheira

A ex-atacante Karina Balestra colecionou muitos momentos memoráveis no futebol, vários deles nas três temporadas em que integrou a equipe Tricolor. Com 56 gols, é dela o título de maior artilheira do Grêmio desde o retorno da modalidade ao Clube em 2017. A também ex-atleta da Seleção Brasileira se despediu dos gramados no final de 2020, após mais de 20 anos em campo.

A capitã Karina Balestra em lance na partida entre Grêmio e Vitória-PE em 2017. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo: Lucas Uebel



Categorias de Base

Com o objetivo de formar atletas para a equipe profissional, a categoria sub-18 do futebol feminino do Grêmio foi estruturada em novembro de 2020 e contou com um grupo de cerca de 25 atletas. Em 2021, o plantel comandado por Yura Titow era composto por: Iasmin Paixão, Marina, Camargo, Cinthia, Duda Figueiró, Ana Guimarães, Laura Badin, Carol Quaresma, Duda, Letícia Camilotti, Mari Pires, Raíssa Bahia, Raíssa Rocha, Ana Ferreira, Giovanna, Joice, Juju, Lary, Gaby Santos, Giulinha, Letícia Xing, Naiane, Nicoly, Nubia Cabral, Paola Kichler, Íris e Bruna Carioca.


Tricampeã Gaúcha

A conquista do Campeonato Gaúcho de Futebol Feminino de 2018 fez Carlinha deixar definitivamente seu nome marcado na história do futebol feminino tricolor. A ex-atacante é a única atleta a ter participado de três títulos de campeão estadual do clube. A aposentadoria no final de 2020 não a afastou do mundo do esporte e atualmente é funcionária do Departamento de Futebol Feminino do Grêmio.

Carlinha posa com as três faixas de Campeã Gaúcha e com a placa de homenagem recebida pelas mãos do Presidente Romildo Bolzan Jr. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafa: Jéssica Maldonado



Campeonato Brasileiro de 2021

Com gols de Rafa Levis e Maiara, a vitória por 2x1 sobre a Ferroviária na 13ª rodada garantiu ao Grêmio a ida para as quartas de final do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino A1 de 2021, consolidando a equipe entre as oito melhores do país.


É Seleção

A convocação da goleira Lorena Leite para a Seleção Brasileira de Futebol Feminino em agosto de 2021 foi mais um feito que demonstrou a força do futebol gremista e encheu a torcida de orgulho. Nascida em Ituverava/SP e com mais de 13 anos de carreira, a atleta chegou ao Clube em 2019 e suas defesas foram decisivas para a volta da equipe à Série A1 do Campeonato Brasileiro naquele ano. Além de Lorena, diversas outras atletas com passagem pelo Grêmio brilharam na Seleção, como as atletas Desireé Godoy Flores e Maurine Dorneles Gonçalves, formadas dentro do Clube.


Supercopa 2022

Na disputa da Supercopa do Brasil de Futebol Feminino 2022, as jogadoras gremistas fizeram história mais uma vez. Após o empate em 1x1 no tempo regulamentar, a vitória nos pênaltis sobre o Flamengo na semifinal, tornou o Grêmio o primeiro clube gaúcho a chegar à final de uma competição nacional de futebol feminino.

A equipe que disputou a final da Supercopa do Brasil contra o Corinthians. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Agência PressDigital/Fotógrafo: Robson Fernandes



Campeãs Gaúchas de Futebol Feminino de 2022

Após um empate de 1x1 no primeiro jogo da final, a partida decisiva do Gauchão Feminino de 2022 foi disputada na Arena do Grêmio junto ao maior público gremista da história da modalidade no Clube. Com gols de Cássia, Luany, Karla Alves e Caty, a vitória de 4x1 sobre o rival Internacional deu ao Grêmio o título de Tetracampeão Gaúcho de Futebol Feminino. A escalação tricolor da técnica Patrícia Gusmão foi: Lorena, Sinara, Tuani (Mónica Ramos), Pati Maldaner, Jéssica Soares, Jessica Peña, Karla Alves, Rafa Levis (Caty), Luany (Dani Ortolan), Cássia e Lais Estevam (Dani Barão).

As gremistas comemoram o Tetracampeonato Gaúcho de Futebol Feminino na Arena do Grêmio. CRÉDITOS: Grêmio FBPA/Fotógrafo Fernando Alves


Fonte: Site Grêmio FBPA